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Museu conta a história do Barão de Mauá

Roberto de Ponte

Casa de Cultura Museu Barão de Mauá Um casarão construído no século XVIII abriga hoje a Casa de Cultura e Museu Barão de Mauá, em Mauá, cidade a 35 quilômetros de São Paulo(Mauá). "O edifício em si é a maior preciosidade", diz Silvia Ahlers, diretora do museu. "Sem querer desmerecer as outras peças que temos aqui".

Arquitetonicamente, a construção é considerada importante exemplar de casa Bandeirista ou Colonial Paulista (período da conquista do interior paulista pelos bandeirantes entre os séculos XVI e XVIII).

Outra característica peculiar é a técnica de construção empregada, denominada taipa de pilão: terra argilosa socada entre pranchões de madeira, proporcionando paredes de até 60 centímetros; telhas originais feitas literalmente nas coxas, que eram usadas como fôrma pelos escravos.

Com o tempo, tornou-se sede da grande fazenda Bocaina, cujo proprietário, Tenente Francisco Barbosa Ortiz - pai do Capitão João José Barbosa Ortiz (Capitão João, que recebeu este título por ser dono de terras, uma tradição na época). Em 1817, o Tenente Francisco, que também era Juiz de Paz entre 1846 e 1865, escravizava, em suas plantações de café, cerca de 35 homens.

O imóvel foi comprado pelo Barão de Mauá em abril de 1862 por 500 mil réis, dois anos depois de iniciadas as obras da ferrovia São Paulo Railway, em parceria com os ingleses.

Na cidade sempre correu o boato de que o barão teria morado no casarão, mas a diretora do museu desmente esta versão: "O Barão de Mauá morava no Rio de Janeiro, e para coordenar as obras da ferrovia utilizava este local."

A casa teria sido usada por ele até 1867, quando a obra ficou pronta, ou em 1883, quando a estação de Pilar (que desde 1926 chama-se Mauá) foi aberta.

Com a falência das empresas do barão, a propriedade foi adquirida por José Grande que, segundo a lenda, era ateu convicto. Ele então queria se livrar de qualquer jeito da imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição que ficava na casa.

Mariquinha Pedroso (Maria Queiroz Pedroso), governanta da casa, pegou a santa e fez a promessa de transformá-la em padroeira da cidade. Doou um terreno onde é hoje a igreja Matriz de Mauá, e cumpriu a promessa. No dia 8 de dezembro, feriado municipal, festeja-se o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Nesse dia, comemora-se o aniversário da cidade, apesar de ter sido emancipada oficialmente em 3 de outubro de 1954.

Até o final dos anos 70, era charmoso morar na casa que havia sido do Barão. Em 27 de outubro de 1982, tornou-se museu e em 27 de dezembro de 1983, o casarão foi tombado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), como "preciosidade remanescente do período Bandeirista."

Conteúdo

A Casa de Cultura e Museu Barão de Mauá conta em seu acervo com mais de 10 mil peças. Entre as 1500 do museu, existem objetos do cotidiano, como ferro de passar roupa, rádio e outros utensílios, além de peças de porcelana do período áureo da produção em Mauá nas décadas de 40 a 70.

Há também coleções de moedas e cédulas, selos postais, discos 78 RPM, fitas de cinema com raras imagens da cidade, 2500 fotografias, além de 300 objetos indígenas e outras obras de arte. Na biblioteca existem livros sobre artes e história, entre eles sobre o Barão de Mauá e a estrada de ferro. Ao todo há cerca de 1500 volumes.

Todos os itens foram doados por munícipes ou empresas da cidade como Porcelanas Schmidt, Porcelanas Mauá e de lugares como da cidade japonesa de Hassami, graças a um convênio de intercâmbio cultural, firmado em 1987. Na entrada, existe um busto do Barão, confeccionado pelo artista plástico Galvez.

O espaço da casa de cultura é utilizado ainda para atividades culturais, como o "Quintal da Arte", lançamentos de livros, debates culturais e excursões dirigidas a estudantes.

O Homenageado

O nome dado à casa de cultura e museu é homenagem a Irineu Evangelista de Sousa, nascido em 1813, no Rio Grande do Sul. Recebeu o título de barão ao concluir a primeira parte da ferrovia, e o de visconde após realizar um dos sonhos do imperador D Pedro II: ligar o cabo telegráfico até a Europa.

Seu maior inimigo político foi Visconde de Feitosa, que manipulava o imperador contra as idéias revolucionárias de Irineu, incentivadas pelo seu amigo, o inglês Senhor Carruthers.

Construiu um conglomerado de empresas e bancos no Brasil e Uruguai. Dez anos depois de decretada a sua falência, conseguiu pagar suas dívidas e voltou a ser um dos homens mais ricos do País, graças ao seu incomparável tino comercial.

Morreu em outubro de 1889 aos 76 anos, em seu estado natal, o Rio Grande do Sul.

No ano passado, foi lançado o filme Mauá - O Rei e o Imperador , dirigido por Sérgio Rezende, com Paulo Betti como Barão de Mauá. Conta uma pequena parte da história deste brasileiro que lutou pelo progresso de seu país, mesmo que para isso colocasse em risco a sua grandiosa fortuna, como no caso do cabo telegráfico.

Mais informações no site da prefeitura de Mauá: www.maua.sp.gov.br ou pelo telefone (0XX11) 4512-7542 ou 4512-7537. A Casa de Cultura e Museu Barão de Mauá fica na Avenida Getúlio Vargas, 276, Vila Guarani.

28-Apr-2001 01:00 PM



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