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02/09/2007
Arquivo reúne registros da censura do Dops ao teatro

Eduardo Henrique Brandão (*)


O resgate da memória das produções culturais de São Paulo de 1930 a 1970, a partir dos registros do Dops (Departamento de Ordem e Política Social), foi o centro das discussões da mesa Comunicação e Censura, na UniSantos. O material composto destes registros geraram o Arquivos Miroel Silveira (AMS), da ECA-USP.

A história da formação do AMS daria um livro. Todo o material de pesquisa foi adquirido por "obra do acaso". "O pessoal do Dops ligou para o professor Miroel Silveira, avisando que precisavam desocupar espaço e tinham que se livrar de uma papelada", explicou Maria Aparecida Laet (USP). Segundo a pesquisadora, eles tinham pressa. "Ele disseram: venham hoje, ou colocaremos fogo em tudo", completou.

O material ficou arquivado na sala do professor Miroel Silveira, no Departamento de Teatro, Rádio e Televisão (USP), desde 1988, onde lecionava. Mas só a partir de 2002 projetos de pesquisas foram desenvolvidos. Composto por um conjunto de processos de censura prévia ao teatro, da República Nova até 1970, o acervo contem a história da formação da escola de teatro paulista.

Segundo Maria Aparecida Laet, 60% das peças sofreram algum tipo de censura, no período de 1930 a 1968. De um total de aproximadamente 6.000 obras, 47 foram proibidas de exibição. Depois que a peça era liberada, poderia ser censurada, desde que houvesse alguma infração. "Era comum um censor ir ver uma peça depois de aprovado o texto, ou alguém denunciar", completa a pesquisadora.

A professora da ECA Maria Marta Jacob, especialista em análise do discurso, diz que a temática das obras era sobre a família. "Como era proibido falar de política, os autores usavam cenas do cotidiano para tocar nos assuntos proibidos", explica a professora. "Outro tema era as traições, geralmente da mulher por um camarada mais rico".

Outra parte dos estudos analisa a produção do teatro amador feito por associações de bairros, sindicatos e colônias de imigrantes. "Reuniam-se para manter a unidade da sua língua de origem, para tratar de questões da fábrica, ou simplesmente para se reunirem", analisa Maria Aparecida Laet.

O estudante de Comunicação, escritor e ator Guimarães Ortega falou sobre a censura. "Eu vivi este período, era comum um censor entrar no meio de uma apresentação". Segundo Ortega, as peças, cinco dias antes da estréia, eram apresentadas a uma junta de três censores. "Se não gostassem da peça, censuravam mesmo, ou prendiam".

Ortega conta que uma de suas peças teve 45 minutos censurados. "Mesmo assim, claro, fizemos a peça na íntegra. Um dia, o censor apareceu. Sorte nossa que com um veículo oficial. Não tivemos dúvidas, apresentamos a peça censurada".

Para Maria Aparecida Laet, a censura nas apresentações foi mais agressiva nos teatros amadores. "O teatro comercial apresentava da forma que estava no texto, sem adaptações ou cacos (improvisações em cena)".

Boa parte do material pesquisado pode ser visto no site do AMS.

(*) Aluno do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Santos (UniSantos).

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