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Skates Longboard e Carveboard estão em alta na cidade
sábado, 12 de maio de 2012

João Pedro Diwan

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 Andre Luiz

Entre as praças com pistas côncavas e as geométricas, distribuídas pelos bairros da cidade; entre os prédios seculares do centro e suas ruas mortas; ou ainda nos sete quilômetros que se estende o jardim da orla da praia - se movimentam sobre quatro rodas aqueles que gostam do esporte no asfalto, tanto quanto no mar. E em meio aos pequenos, surgiram, aqui, outros skates com o comprimento da sua prancha bem maior que o comum: os skates longboards, que ultrapassam as 38 polegadas de comprimento, em suas diferentes formas.

O longskate foi criado durante as décadas de 50 e 60, na Califórnia, e inspirado no surfe clássico. Este, no ínicio, manteve um certo tipo de elegância: seus movimentos são basicamente lineares, rendem curvas mais desenhadas e uma corrida mais reta, quadrada. Por exemplo, a famosa caminhada sobre a prancha é uma manobra que é a base do surfe. Ainda existem pessoas que seguem essa linha e levam o longboard como paixão, na sua imagem mais clássica.

Renata Rocha, Amanda Oréfice, Fernanda Oliveira, Aryane Rabelo e Priscilla Ruivo, são as principais longboarders do grupo santista Cherry Longirls. As garotas podem ser comparadas ao grupo madriense, Longboard Girls Crew, que possui mais de 100 mil "likes" em sua página no Facebook.

As Cherry Longirls agrupam quase dez meninas santistas que curtem praticar o longskate, entre passeios, manobras e corridas. A maior parte delas tem mais de 20 anos. Algumas começaram há mais tempo, outras nem tanto assim, mas "todas começaram por vontade própria, por vontade de aprender o esporte", explicam. O grupo foi criado para fortalecer a ideia feminista dentro do esporte.

Renata Rocha, 23, podóloga, é a veterana entre elas: já faz 12 anos que tem seus pés grudados num longboard. Ela diz que quando começou a praticar o esporte, teve que ultrapassar algumas barreiras criadas pelo preconceito de meninos que a apontavam como motivo de piada. Mesmo assim, nunca desistiu da sua fome pelo esporte e conseguiu incentivar outras garotas a pegarem o gosto pela coisa.

Renata, que também age como instrutora das meninas menos inexperientes, comenta: "As meninas têm potencial. Elas têm evoluído muito rápido, sem faltas nos encontros. Ver um progresso acontecendo e perceber que elas perderam o medo, estão se dedicando, é muito legal". "Praticamos como hobby, pois amamos o esporte e nos sentimos mais livres ao andar, sensação de paz, conforto. E aproveitamos para reunir as amigas", explicam as garotas.

Uma vertente mais agressiva do skate longboard é o Downhill. Em tese, esta consiste em descidas de pistas extremamente íngremes (ladeiras), em grande velocidade. Os aventureiros podem ultrapassar a marca dos 100km/h, dependendo da pista. Neste caso, o macacão, as luvas de couro e o capacete fechado são indispensáveis. O Downhill tem as suas variações, como o Downhill Speed.

Surfando no asfalto - O carveboard é o que está mais chamando a atenção dos interessados no skate e no surf. Este modelo de skate surgiu em terras americanas, e entrou em produção na década passada, como uma evolução do longboard. A prancha é tão grande quanto a de um skate longboard comum, porém, côncava. Seu diferencial também está nos pneus de borracha e no sistema de suspensão com molas nos trucks. O carve (pronuncia-se "cárve") não serve para corrida em velocidade, chegando no máximo a 20km/h, mas, sim, para "zigue-zaguear", cavar a pista (daí o termo "carve"), ou fazer alguns slides (rasgadas), assim como se faz com as ondas.

Carlos Bressane, 31, comerciante, é apaixonado por esportes, praticante do surf há um bom tempo, assim como do skate. Ganhou seu primeiro aos 12 anos. Hoje, ele pratica o surf à remo (Stand Up), mas também, acabou encontrando o carveboard há sete anos, em uma de suas buscas por novidades no esporte. Desde então, não largou mão do brinquedo. "Sempre que ando de carveboard, viajo totalmente. Ladeira vira onda, calçada vira lipe (crista da onda). Sempre acontece a ligação entre o mar e o asfalto, quando se anda num carve".

Carlos faz parte da equipe de carveboard KamiCarve Drop Team e já disputou em cerca de 12 campeonatos da modalidade, patrocinado pela marca Dropboards. Ele frisa um pouco mais sobre o mecanismo deste skate diferenciado. "Carveboard é a vertente do skate que mais se aproxima com os movimentos do surf, seus eixos com molas fazem com que ele se incline em 45º, fazendo uma cavada em pouco espaço. É a mesma sensação de dar uma batida na onda: a sensação do carveboard é a mesma do surf, só que com um pouco mais de adrenalina".

Com 22 anos e apenas dois anos de experiência com o carveboard, o santista Romulo Capazzo diz que "carveboard é puro surf no asfalto". "Eu procuro sempre tentar jogar o que fazemos dentro da água, na ladeira", comenta.

O ponto de encontro para a prática do carveboard, na Baixada, costuma ser na Ilha Porchat, em São Vicente. "Fora daqui temos boas ladeiras. Em Sao Bernado, Itu, Caieras, Alpha Ville (Ilhas "Mentawai do carveboard" no Brasil). Gostei muito de algumas ladeiras de São Manoel. A maioria dos campeonatos são feitos aqui, Sao Bernado, Itu e Caieras", comenta Romulo.

Quanto à segurança durante a prática do esporte, é claro que ambos aconselham a segurança máxima aliada a um bom carveboard. Romulo dá ênfase ao capacete e luvas e completa: "respeitem seus limites".

Não é necessário ter conhecimento prévio de como andar de skate ou como surfar, "mas quem já tem a base no surf, com certeza tem mais facilidade no carve", comenta Romulo. "Acho que força de vontade e dedicação bastam para iniciar", diz Bressane.

Alguns dizem que o skate é o surf no aslfato, outros dizem que o surf é o skate no mar. Entre contradições, o importante é praticar e amar o que faz.

Mercado - Em média, um skate longboard ou carveboard custa R$800,00. Um preço que pode variar, dependendo da loja em que se compra o produto, da marca escolhida e da qualidade dos elementos escolhidos para construir o skate.

A marca internacional mais famosa é a Sector9, de San Diego (EUA). No Brasil, a mais conhecida é a Dropboards.

Segundo Romulo Capazzo, "a única coisa que falta no carve é o investimento de marcas grandes no Brasil. É um esporte extremamente radical, chama atenção por onde passa e tem pouca concorrência no mercado. Não há muitos fabricantes de carveboard no país. Haveria mais praticantes, se o preço fosse mais acessível."

ASCARVI-PSV- Na Baixada Santista, existe a assossiação ASCARVI-PSV (Associação de Carveboard das Ilhas Porchat e de São Vicente), presidida por Leonardo Branco. Formada no ano passado, é a primeira assossiação de carveboard do Brasil. "Em 2011 realizamos o Circuito Vicentino de Carveboard, na Ilha Porchat. Neste ano, estamos realizando o Circuito Paulista, com etapas em diversas cidade de São Paulo. A próxima acontecerá dia 27 de maio, em Osasco", anuncia Leonardo.

O internauta que quiser colaborar com a Assossiação, inscrever-se no Circuito Paulista, ou saber mais sobre a ASCARVI-PSV, deve enviar um e-mail para o presidente, Leonardo Branco, que também disponibilizou o telefone para contato: (13) 9635-3519.

História - Para quem não sabe, além de toda a riqueza cultural que Santos possui, a cidade litorânea de São Paulo também acolhe diferentes modalidades esportivas na sua trajetória histórica. Desde o futebol, com a casa do rei Pelé; até o surf, com as mãos de Osmar Gonçalves, em 1938.

Osmar Gonçalves foi o responsável pelo nascimento do surf brasileiro na praia de Santos, quando fez a primeira prancha verde-amarela, com a ajuda de mais dois amigos e mergulhou nas ondas do canal 3, na primeira metade do século XX. Desde então, resistindo aos tempos de ditadura - o que não foi nada fácil para os surfistas, julgados como deliquentes pela sociedade da época -, Santos mantém a identidade "californiana" do surf. Em 1992, Santos sediou a primeira escola gratuita de surf do país, reafirmando a fama dentro do país.

Durante o passar dos tempos, o esporte do mar e areia cresceu tanto que tomou conta do asfalto ao redor do mundo. Com outras proporções, sem contar as vertentes do surf, como o body board e o stand up (surfe à remo), o esporte marítimo deu origem à um outro que está há bastante tempo igualmente inserido no cotidiano da população santista: o skate.


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