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Progressão continuada não é vilã no analfabetismo funcional
sábado, 19 de maio de 2012

Rafaella Martinez Vicentini

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 Rafaella Martinez

Eles sabem ler, escrever e fazer cálculos matemáticos simples. Porém, não conseguem interpretar nem contextualizar informações mais complexas, como por exemplo, notícias de jornais ou artigos acadêmicos. Não conseguem extrair sentido das palavras ou colocar ideias no papel. São os analfabetos funcionais, que correspondem cerca de 20,3% da população adulta brasileira, conforme dados do INAF - Indicador de alfabetismo funcional.

Dentre vários fatores que geram um aumento no número de analfabetos funcionais, um deles se destaca, sendo a principal queixa de professores de todos os ciclos da aprendizagem: o sistema de progressão continuada, que permite ao aluno avanços sucessíveis e sem interrupções nas séries, ciclos ou fases.

A professora de ensino médio Ana Ribeiro, que leciona na rede pública estadual e preferiu não se identificar, acredita que a progressão continuada não passa de uma estratégia do governo em melhorar os índices de educação no País, e não traz benefício algum aos alunos. “O Estado quer passar a imagem de uma escola que esta dando certo, com altos índices de aprovação, o que é um mito. A educação é onerosa para o Estado, gerando despesas e nenhum lucro. Desta forma, o governo entende que não compensa manter um mesmo aluno na mesma série aprovando-o sem que ele tenha estrutura para outros aprendizados. Hoje temos muitos alunos alfabetizados, porém não letrados: sabem ler e escrever, mas não sabem utilizar a língua a seu favor”, relata.

Aspectos culturais, sociais, econômicos e psicológicos influenciam muito mais no desenvolvimento da educação. Existe uma grande interferência emocional no processo educacional (Irene Coelho)Opinião semelhante defende a pedagoga, psicóloga e professora universitária, Luci Mara da Silva Lundin. Segunda a psicóloga, o sistema pode gerar consequências desastrosas ao aluno que ingressa no ensino superior.“Vivemos em um mundo onde a educação, infelizmente, não é prioridade. Observo hoje alunos que chegam aos bancos universitários em nível crítico. Porém, estes alunos nada mais são do que `vítimas do sistema de ensino`, onde estão acostumados com a ideia de que basta ter presença para passar de ano, e muitas vezes não conseguem acompanhar a rotina universitária”.

Porém, Luci Mara acredita que a progressão continuada não é a grande vilã do sistema de ensino. Ela defende que a inversão de valores da sociedade atual, também contribui para que a cada dia menos alunos tenham vontade de estudar. ”É necessário incentivar a leitura e a educação, porém isto se torna difícil uma vez que a criança vê no ídolo do esporte ou da TV, que nunca frequentou a escola ou interrompeu os estudos, seu ideal de vida”.

Irene da Silva Coelho, doutora em filologia e língua portuguesa, possui uma opinião diferente sobre as principais causas que resultam em analfabetos funcionais. Para a doutora, é errado depositar a culpa da realidade da educação brasileira em cima do sistema de progressão continuada. Segundo ela, outros fatores têm influencia direta no processo, pois, caso contrário, não existiriam alunos com baixo nível de alfabetização também em escolas particulares.

“Aspectos culturais, sociais, econômicos e psicológicos influenciam muito mais no desenvolvimento da educação. Existe uma grande interferência emocional no processo educacional. Um aluno de baixa renda que precisa estudar escutando tiros nas periferias da cidade e um de classe média alta que precisa dormir ouvindo os pais discutindo, mesmo sendo de diferentes classes sociais terão as mesmas dificuldades na escola no dia seguinte”, explica.

Irene acredita que o problema tem início em um lugar bem distante dos bancos escolares. “O analfabetismo funcional, no fim, é um problema relacionado à família. Para mudar os rumos da educação, é imprescindível recursos, boa vontade e oportunidades. É preciso implantar na mente de todos que a educação começa em casa, e esta atividade não deve ser delegada aos professores”.

Segundo a pedagoga Maria Cristina Pereira Alves, a progressão pode ser danosa não apenas para o futuro profissional dos alunos, mas como para a própria autoestima dos mesmos.

“Um aluno que se encontra em um ambiente onde é um dos poucos que não consegue compreender o que esta sendo dito, tende a desenvolver insegurança e baixa autoestima. Conseguimos analisar de maneira espantosa os danos que o sistema causa com os alunos no primeiro ano da faculdade. Encontramos alunos completamente perdidos, que se assustam ao constatar que a universidade esta em um patamar diferente do que a escola. Alguns não aguentam e acabam por abandonar o curso, enquanto outros perseveram e tentam recuperar o tempo perdido”, conclui.


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