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Edição nº 373 | Ano XIX | Fechada em 19/05/12 às 12h30
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Clandestinos a bordo: sinônimo de problemas ambientais
sábado, 19 de maio de 2012

Mara Menezes

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 Domínio Público

Um navio cargueiro, para ter estabilidade, precisa carregar um peso líquido para se manter submerso até certo nível. Quando essas embarcações estão com pouca ou sem carga, enchem os tanques com água para alcançar a estabilidade necessária.

A água é recolhida em portos e estuários ao redor do mundo onde o navio esteja atracado. Navegando vazio, ele poderia sofrer danos irreparáveis, partindo-se ao meio ou até naufragando durante uma tempestade. Quando estes navios chegam a um outro porto, ao ser estocado com novas mercadorias, essa água é despejada ali mesmo no estuário estrangeiro. É aí que acontece o desembarque indevido de microorganismos animais e vegetais endêmicos para competir com espécies nativas do novo habitat.

Quando essas criaturas se adaptam às condições do novo ambiente, se proliferam e se tornam concorrentes com as espécies nativas do local, competindo por espaço e comida.

O professor da Unisanta Camilo Seabra, doutor em Biologia Marinha, afirma que “a água de lastro dos navios é o grande vetor de microorganismos invasores que causam grande perda de diversidade biológica do ecossistema e prejuízo econômico para aqueles que tiram seu sustento na captura e venda, por exemplo, de crustáceos”.

Como exemplo de espécies alienígenas, chamadas também de exóticas, o professor Seabra cita os mexilhões dourados, que ocupam o espaço e consomem alimentos das espécies nativas. Poucos animais nativos comem mexilhões-dourados; por isso, a espécie se reproduz rapidamente, formando colônias, encobrindo e destruindo a vegetação aquática. Essas colônias dão grande prejuízo às embarcações comerciais e de lazer, pois se formam nos cascos submersos, mudam sua forma, travam hélices, leme e outros instrumentos de navegação.

O professor Seabra cita também o mexilhão comercial, os perna-perna, comuns no nosso litoral, mas, que chegaram aqui, em tese, agarrados aos cascos dos navios negreiros na época do Brasil colonial.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) realiza estudos em todo o litoral, coletando e analisando amostras de água de lastro de navios. Em 2001, foram detectados que em 71% das amostras coletadas de cinco portos do país havia bactérias marinhas, inclusive o Vibrio cholerae, causador da cólera humana.

A presença desses organismos pode gerar uma série de problemas ao ecossistema e causar mortes, caso cheguem até as praias ou, no caso os moluscos e frutos do mar, apanhados nas regiões de despejo da água de lastro, sejam consumidos. Acredita-se que a cólera tenha sido introduzida no Brasil em 1991, via água de lastro proveniente do Peru.

Prevenção e Tratamento - Órgãos como o Ministério da Saúde, Ministério do Meio Ambiente, Fundação Nacional de Saúde, Organização Marítima Internacional, Organização Mundial da Saúde e ANVISA estão realizando estudos sobre o tema, inclusive em âmbito mundial. O Globallast (sigla em inglês do Programa de Gerenciamento Global de Água de Lastro) busca estratégias e formas de assistir este problema, principalmente nos países emergentes. A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou, em 2008, uma proposta que obriga os navios a inspecionarem a água de lastro.

Em Santos, o plano de gestão inclui que a troca de água de lastro seja feita em alto-mar com profundidade superior a 500 metros, já que o meio ambiente oceânico não serve de habitat a organismos de água costeiras. A CODESP proibiu qualquer tipo de despejo, incluindo água de lastro, sobre cais e píeres e realiza monitoramentos do ambiente marinho, o que é imprescindível no controle e gerenciamento do problema. A Capitania dos Portos juntamente com a Marinha do Brasil realiza o policiamento do canal e áreas próximas ao continente.

As conseqüências do despejo de água de lastro no litoral é de prejuízo para todos, segundo o biólogo e professor universitário Fábio Giordano, doutor em Ecologia. Para ele, o ideal é que todos se envolvam e cobrem providências sérias do governo.



 

 

 

 

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